segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sonhos Perdidos

Num golpe de luxúria tentei ganhar o mundo,
E num ataque de fúria me atirei às brasas.
Dos mares, quis conhecer o mais profundo,
Dos ares, a capacidade de todas as asas.

Os oceanos em que mergulhei eram poluídos,
E os ventos que me levaram cortaram-me a face.
Foi então que me vi assim, ferido
E ao conquistar meus sonhos, estou num impasse.

Como se dentro de mim houvesse um deserto,
Futuro incerto, com o presente perfeito.
Estando preso na indecisão, corpo fechado, aberto
Para o que ainda não havia descoberto.
Percebo que a ambição, que mantive tão perto
Foi antes de tudo, meu maior defeito.

E no fim de tudo, cercado daquilo o que queria,
Como se tão pouco faltasse para ser completo,
Vi a vida sem obstáculos, monótona e fria,
Tão vazia que por ninguém buscava afeto,
Exceto pelos segredos que em mim guarnecia.

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