segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Velocidade do Som

Belas canções passam, tanto em comum!
Nos revelam, nos apaixonam... Fantasia
De não encontrar limite algum
E ao mesmo tempo concretizar cada utopia.

Escuto as vozes não só com os ouvidos,
Me encantam e elevam todos os sentidos,
Resgatam o que há de bom em minha alma,
E num instante a canção me acolhe, me acalma!

Você vem junto com ela, muda minha vida,
E, tão rápido quanto um acorde, se vai.
Muda a letra, o sentido, e até a batida,
E com o rufar dos tambores meu mundo cai.

Sou o contrário de ti, e percebo nas confissões.
Só me guio pela voz dos homens, infelizmente...
Você escreve cartas para Deus, orações,
E eu apenas acredito nas profanas canções
Que destroem o meu mundo lentamente.

Mas siga seu rumo, eu permito.
Apenas grava-me a música,
E deixe-a tocar... Velocidade do som.
Quero voltar a ser lembrança,
E me destrua a esperança
Sem me matar na mudança de tom.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Sonhos Perdidos

Num golpe de luxúria tentei ganhar o mundo,
E num ataque de fúria me atirei às brasas.
Dos mares, quis conhecer o mais profundo,
Dos ares, a capacidade de todas as asas.

Os oceanos em que mergulhei eram poluídos,
E os ventos que me levaram cortaram-me a face.
Foi então que me vi assim, ferido
E ao conquistar meus sonhos, estou num impasse.

Como se dentro de mim houvesse um deserto,
Futuro incerto, com o presente perfeito.
Estando preso na indecisão, corpo fechado, aberto
Para o que ainda não havia descoberto.
Percebo que a ambição, que mantive tão perto
Foi antes de tudo, meu maior defeito.

E no fim de tudo, cercado daquilo o que queria,
Como se tão pouco faltasse para ser completo,
Vi a vida sem obstáculos, monótona e fria,
Tão vazia que por ninguém buscava afeto,
Exceto pelos segredos que em mim guarnecia.

domingo, 1 de agosto de 2010

Preces Pagãs

Quando menos se espera vem a lei,
A paixão mal resolvida, o súbito,
O desespero daquele que foi rei
E de um dia para o outro se viu súdito.

Esta força destruidora da coragem,
Que inibe o tempo todo a nossa glória,
Faz da vida um momento de estiagem
E consome a infinidade da memória.

De onde vem essa obscura imagem
Quando penso ter encontrado o caminho?
Me deparei novamente com a barragem,
Eu sou o pássaro derrubado do ninho.

Tão singelo o meu cair deste abismo,
Meu flagelo particular, meu sorriso
Fechado para esta sessão de batismo
Até que os anjos me carreguem de improviso
E me levem, junto com eles, ao paraíso.

Incertezas

Me perdi no ponto de partida,
Retrocedi, ao invés de seguir em frente.
Corro, mas já não tenho outra saída
Para esse sentimento intermitente.

Quente e frio,
Vivo ao léu, meu peito é vazio,
Coração esmagado por incertezas.
Não sei mais por onde me guio,
Para tornar mais curtas nossas sutilezas.

E agora, com um toque, me acalmas.
Do mundo das almas
Volto eu com o corpo intacto
Para então selarmos o pacto
Para o qual batemos palmas,
E ao qual resistiremos ao impacto.

A verdade se revelará logo,
Tomarei uma atitude, eu juro.
E mesmo estando tudo obscuro,
Me ilumino, e às trevas me jogo,
Haja o que houver,
Para que o nosso amor seja mais puro.


Escrito em conjunto com Beatriz Camargo, do blog "Em Busca de Alguma Coisa..."

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Na Superfície

Invejo as criaturas dos mares, peixes e tartarugas.

Enquanto vivo efêmero, na superfície,

Almejando o sol, sentado nessa planície,

Eles mergulham suaves, golfinhos e belugas,

Sentindo, se aprofundando na vida,

Indo embora, sem saber o local da partida.

 

Criatura da superfície, dependente do ar,

Sou o puro desejo, sou o beijo, o amar.

Quero um conto de fadas, ou conversa de bar,

Se me desperta interesse sou coringa, sou seu par.

 

Mas se tiver que me usar, me use,

Quero apenas que seja sincero,

Que me toque na superfície da pele,

Mas que o prazer que nos une, severo,

Seja o início de um contrato que se sele.

 

E no final, quando me usares por completo,

Quando me descartares, seu mero objeto,

Me jogue ao oceano, impiedoso, perverso,

E me afunde, me faça viver submerso,

Pois criarei guelras, entrarei em um escafandro,

Me adaptarei a esse mar de lágrimas

Que eu mesmo chorei, e ao qual me atiro

Para livrar-me do medo daquilo que admiro.

Saudade

Por mais que eu me mova, dê voltas,

Ainda sinto uma imensa vontade,

Imensa saudade,

Um calafrio, uma dor no peito.

Sinto saudades do sexo, saudades dos aromas,

Saudades dos gestos e dos idiomas.

Sinto saudades das bocas, dos olhos,

E chegarei ao extremo: Aposto

Que sentirei saudades até mesmo do que não gosto.

Saudades de um belo gozo, as sensações,

Vontade de estar vivo, tocar-se, ser-se,

E apenas por um momento saciar-me

A eterna saudade.

Saudade até da minha vida,

Que nem sequer se acabou,

Tenho saudades do tudo, do nada,

Daquilo que já passou,

E até mesmo do futuro

Meu jogar no escuro,

O que ainda nem começou.

As Nuvens

As nuvens passam, brancas, suaves,

Passam as nuvens, só as horas não passam.

Fico aqui, buscando alguma imagem,

Mas elas não ligam, só estão de passagem

Revelando meu desespero, meu frio,

O medo de que se juntem,

Se tornem tempestade.

Meu completo vazio.

 

Quem saberá o segredo das nuvens,

Pairando alto, jogadas ao léu?

Cumulus Nimbus, a chuva, as dores,

E afinal, um arco-íris pintará meu céu?

 

Me envolvam, me levem, me façam passar,

Façam meu tempo passar depressa,

Mas tenham piedade,

Meu mal é a saudade,

Não me derrubem daqui.

Não suportaria colocar de novo os pés no chão

E perceber que no meu devaneio,

No meu fracasso,

No espaço da minha vida, onde mais do que tudo já sei,

Que por mais que eu tente, que eu faça, que eu ame,

Por mais que eu proclame,

Aceito,

Eu nunca voarei.

Ter Asas

Para voar é preciso ter asas,

E para ter asas é preciso ter sorte.

Mas nunca acreditei em promessas...

Me vejo mais Ícaro que arcanjo,

Tão perto da morte,

Já que sou um tolo arriscando a própria vida.

Sou eu kamikaze, a caminho do voo suicida.

Seguindo a Canção

Caminhei, cantei, e segui a canção.

Quando quis voar, acabei Ícaro,

E quando quis amar, retalhei meu coração.

 

Machuquei-me por dentro,

E tenho consciência de cada corte.

Vago pelo mundo em busca de um centro,

Mas achar um rumo nunca foi meu forte.

 

Andei por ruas que não ligavam a lugar algum,

Fiz até amigos, mesmo sem conhecer nenhum.

Pensei ter esgotado os enigmas,

Quando solucionei apenas um.

 

Mas não importa o quanto me doa,

Nem mesmo alguém que me diga,

Em minha alma soa uma voz,

Não sei se amiga ou inimiga,

Falando de maneira feroz,

E querendo que eu sempre prossiga.

Re-urbanizando

Nossos tempos de glória se foram.

Nossa Grécia, seus templos.

Nossos tempos

De glória

Concreta.

Sem Creta.

Sociedade Secreta

Formada por pessoas vazias,

Formando pessoas vazias,

Formadas no vazio

Esguio.

Sem fio.

Confio apenas em mim,

Se não for assim

Eu morro,

Sem socorro.

Só corro

Com minhas próprias pernas,

De carro,

Com ida sem volta.

Comida para todos

Os fracos

De vida,

Ricos de espírito.

Coitados.

Todos nós alienados,

Alienígenas

Da cidade que nos cria.

Queria

De forma secreta,

Sem Creta,

Ser grego,

Ser agregado,

Segregado

Pelo mundo,

Oriundo,

De forma a voltar a ser

Sábio.

No lábio

A palavra certa,

Sem medo de dizer,

Semeando o saber

Que hoje falta.

Não sei mais de nada,

Nem quem sou, nem quem és.

Só.

Solidão.

Só a solidão é minha lei

Numa cidade

Que não tem lei.

Só sei

Que o sossego se foi.

Só cego.

Nem cego deixa de ver

O que alguns tentam

O tempo todo

Esquecer.

Eis que ser

Forte

Adiantaria,

Se bastasse

Para sempre.