As nuvens passam, brancas, suaves,
Passam as nuvens, só as horas não passam.
Fico aqui, buscando alguma imagem,
Mas elas não ligam, só estão de passagem
Revelando meu desespero, meu frio,
O medo de que se juntem,
Se tornem tempestade.
Meu completo vazio.
Quem saberá o segredo das nuvens,
Pairando alto, jogadas ao léu?
Cumulus Nimbus, a chuva, as dores,
E afinal, um arco-íris pintará meu céu?
Me envolvam, me levem, me façam passar,
Façam meu tempo passar depressa,
Mas tenham piedade,
Meu mal é a saudade,
Não me derrubem daqui.
Não suportaria colocar de novo os pés no chão
E perceber que no meu devaneio,
No meu fracasso,
No espaço da minha vida, onde mais do que tudo já sei,
Que por mais que eu tente, que eu faça, que eu ame,
Por mais que eu proclame,
Aceito,
Eu nunca voarei.
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