No início, mas não no início do que digo,
No início do início, do nosso início, do início do teu corpo
Nu ou vestido, que é apenas o início do meu desejo,
Apenas o início do que sinto, e o início do que escrevo.
Tens o início perfeito, daqueles que não se preocupa com o fim.
Minha história seria eterna para ti.
No meio, já não sei quem és, apesar de dizer-me que sei.
Metade te revela a metade de si, e metade revela aquilo que deixei.
Queria poder decifrar cada metade, e tornar o meio um inteiro,
Com começo e meio, sem fim,
Fazendo parte de ti, e resgatando as metades que ficaram por aí.
O meio de tudo me faz pensar, então te olho novamente,
Revejo o início, propagando os velhos desfechos
Daquilo que recordo de repente.
E no fim, já nem sei quem sou eu.
Me perco em teu corpo de vez, como se perde em todo final.
E no velho final, velha despedida, velha dor incompreendida
De todo final, feliz ou triste,
Saberei, mais do que tudo, que no final das contas,
O hoje apenas acaba porque o amanhã existe.
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