quinta-feira, 29 de julho de 2010

Re-urbanizando

Nossos tempos de glória se foram.

Nossa Grécia, seus templos.

Nossos tempos

De glória

Concreta.

Sem Creta.

Sociedade Secreta

Formada por pessoas vazias,

Formando pessoas vazias,

Formadas no vazio

Esguio.

Sem fio.

Confio apenas em mim,

Se não for assim

Eu morro,

Sem socorro.

Só corro

Com minhas próprias pernas,

De carro,

Com ida sem volta.

Comida para todos

Os fracos

De vida,

Ricos de espírito.

Coitados.

Todos nós alienados,

Alienígenas

Da cidade que nos cria.

Queria

De forma secreta,

Sem Creta,

Ser grego,

Ser agregado,

Segregado

Pelo mundo,

Oriundo,

De forma a voltar a ser

Sábio.

No lábio

A palavra certa,

Sem medo de dizer,

Semeando o saber

Que hoje falta.

Não sei mais de nada,

Nem quem sou, nem quem és.

Só.

Solidão.

Só a solidão é minha lei

Numa cidade

Que não tem lei.

Só sei

Que o sossego se foi.

Só cego.

Nem cego deixa de ver

O que alguns tentam

O tempo todo

Esquecer.

Eis que ser

Forte

Adiantaria,

Se bastasse

Para sempre.

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