Nossos tempos de glória se foram.
Nossa Grécia, seus templos.
Nossos tempos
De glória
Concreta.
Sem Creta.
Sociedade Secreta
Formada por pessoas vazias,
Formando pessoas vazias,
Formadas no vazio
Esguio.
Sem fio.
Confio apenas em mim,
Se não for assim
Eu morro,
Sem socorro.
Só corro
Com minhas próprias pernas,
De carro,
Com ida sem volta.
Comida para todos
Os fracos
De vida,
Ricos de espírito.
Coitados.
Todos nós alienados,
Alienígenas
Da cidade que nos cria.
Queria
De forma secreta,
Sem Creta,
Ser grego,
Ser agregado,
Segregado
Pelo mundo,
Oriundo,
De forma a voltar a ser
Sábio.
No lábio
A palavra certa,
Sem medo de dizer,
Semeando o saber
Que hoje falta.
Não sei mais de nada,
Nem quem sou, nem quem és.
Só.
Solidão.
Só a solidão é minha lei
Numa cidade
Que não tem lei.
Só sei
Que o sossego se foi.
Só cego.
Nem cego deixa de ver
O que alguns tentam
O tempo todo
Esquecer.
Eis que ser
Forte
Adiantaria,
Se bastasse
Para sempre.
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