quinta-feira, 29 de julho de 2010

A Dor

Há uma ferida aberta em minha alma,

Acho que ela não se cura.

Ela não pára de doer um segundo,

Não sei de que é feita, se de pranto ou de amargura,

Mas sei que dói, quase toda a dor do mundo.

 

Aos poucos me deparo com sonhos,

Que a vida nos trás com o maior prazer.

De muitos desisto, outros concretizo

Aprendendo de vez, e com sensatez tentando escolher

Os rumos daquilo que realizo.

Mas a dor... Esta não para de doer.

 

Uma dor rara e incessante, constante

Na imensa forma de agir.

E então percebi que dando tanta atenção a ela

Perdia o próprio prazer de sentir

O que na dor não se pode conter, nem conseguir.

 

Mas hoje, olhando para trás, vejo num instante

Que amigos fiz nesta vida, e que amores deixei por aqui.

Não que tenha sido alguém importante,

Mas quem não é importante para si?

 

Agora sei do que se trata, e não posso mais omitir.

Quero que escrevam em meu epitáfio,

Embora saiba que ninguém vai ler,

Que toda a imensa dor que senti

Foi a simples, e pura, dor do viver.

(E eu vivi...).

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