Há uma ferida aberta em minha alma,
Acho que ela não se cura.
Ela não pára de doer um segundo,
Não sei de que é feita, se de pranto ou de amargura,
Mas sei que dói, quase toda a dor do mundo.
Aos poucos me deparo com sonhos,
Que a vida nos trás com o maior prazer.
De muitos desisto, outros concretizo
Aprendendo de vez, e com sensatez tentando escolher
Os rumos daquilo que realizo.
Mas a dor... Esta não para de doer.
Uma dor rara e incessante, constante
Na imensa forma de agir.
E então percebi que dando tanta atenção a ela
Perdia o próprio prazer de sentir
O que na dor não se pode conter, nem conseguir.
Mas hoje, olhando para trás, vejo num instante
Que amigos fiz nesta vida, e que amores deixei por aqui.
Não que tenha sido alguém importante,
Mas quem não é importante para si?
Agora sei do que se trata, e não posso mais omitir.
Quero que escrevam em meu epitáfio,
Embora saiba que ninguém vai ler,
Que toda a imensa dor que senti
Foi a simples, e pura, dor do viver.
(E eu vivi...).
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